Morning Calls  / 30.06.2026
30.06.2026 · TER Macro

Morning Call — 30 de Junho

Morning CallTerça-feira, 30 de junho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual
Morning Call
Análise diária de mercado
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Panorama GlobalInternacional
🕊️ Trégua segura, mas frágil — delegações se reúnem hoje em Doha: EUA e Irã firmaram trégua no fim de semana, com fim das hostilidades e reabertura do tráfego em Ormuz. Delegações dos dois países se reúnem nesta terça em Doha, a pedido de Teerã segundo Trump — embora o Irã ainda não tenha confirmado presença. O acordo segue frágil, com hostilidades pontuais registradas desde o fim de semana. Brent recua para US$ 72,88.
S&P 500+0,05%Futuro
Stoxx 600+0,6%Maior ganho trimestral em 5 anos
Nikkei+0,86%Japão
Kospi+0,97%Coreia do Sul
Brent−0,37%US$ 72,88/bbl
WTI−0,08%US$ 70,69/bbl
DXY+0,26%101,36 — dólar global forte
Treasury 10a4,366%↓ leve
⚠️ Iene japonês na mínima desde 1986: a moeda caiu para 162,19 por dólar, mantendo investidores em alerta para possível intervenção das autoridades japonesas. O ministro das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que o governo está pronto para tomar "ação decisiva" diante de movimentos excessivos. O dólar segue forte globalmente, pressionando moedas emergentes e desenvolvidas.
  • Europa com sinais mistos: inflação na França desacelerou para 2,0% em junho (de 2,8%); desemprego alemão estável em 6,3%; PIB do Reino Unido cresceu 0,6% no 1º trimestre — expansão mais forte desde o 1º tri de 2025
  • Nagel (Bundesbank) alerta: a inflação na Europa deve seguir acima da meta apesar da trégua no Oriente Médio, citando choque persistente nos preços de energia — eco da mesma cautela que o BC brasileiro vem demonstrando
  • Suprema Corte dos EUA proíbe Trump de demitir diretora do Fed — decisão reforça a independência do banco central americano; Trump disse que tomará medidas em resposta
  • Tensão comercial: China anuncia tarifa preliminar de 73,5% sobre amido de ervilha canadense; UE corta em 47% o volume de aço importado com isenção de tarifas
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BrasilMercado Doméstico
Ibovespa−0,05%173.205 pts
Dólar+0,15%R$ 5,1748
IGP-M jun−0,50%Queda nos preços ao produtor
Defasagem gas.−31%Abicom · 29/06
🇵🇾 Cúpula do Mercosul hoje no Paraguai: com foco em integração regional e aceleração de acordos de livre-comércio, em meio ao avanço do protecionismo global puxado pelas tarifas de Trump. É a primeira cúpula desde a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia — momento relevante para o comércio exterior brasileiro, ainda que Lula chegue ao encontro em cenário político desfavorável no continente.
📊 Focus: projeções de Selic e IPCA deste ano ficam estáveis, mas futuro é menos otimista: analistas veem o emprego ainda aquecido e o BC sem espaço para cortar juros. Durigan rebateu o BC e negou risco de inflação nas medidas de crédito do governo — divergência entre Fazenda e BC sobre o diagnóstico inflacionário. O giro financeiro de ontem foi 45% abaixo da média de junho, refletindo a liquidez reduzida em dia de jogo da Seleção.
  • Aneel confirma repasse de R$ 5,6 bi para reduzir a conta de luz — concretização do alívio pontual já sinalizado pelo bônus de Itaipu
  • Confiança do comércio sobe, mas não recupera: o Índice da FGV avançou 0,9 ponto em junho, para 85,1 — patamar ainda baixo, com varejistas cautelosos diante dos juros altos e do endividamento das famílias
  • PEC da autonomia financeira do BC gera debate e coloca especialistas em lados opostos; Alcolumbre mantém a PEC de R$ 30 bi na pauta do Senado enquanto encontro com Lula não se concretiza
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Empresas em DestaqueCorporativo
  • Movida (MOVI3): assume contratos de locação de veículos e frota da Copel por R$ 100 milhões, em operação com a CS Brasil Holding (grupo Simpar) — movimento de consolidação no setor de locação.
  • Sabesp (SBSP3) / Emae: a Sabesp firmou protocolo para incorporar a totalidade das ações da Emae ainda fora de seu controle, com assembleias marcadas para 30/07. Acionistas da Emae receberão 1,3195 ação da Sabesp por papel detido; a Emae deixará de ser negociada na B3.
  • Raízen (RAIZ4): encerrou o exercício 2025/26 (até 31/03) com prejuízo de R$ 27,1 bilhões, sendo R$ 22,5 bilhões em provisões para perdas após o pedido de recuperação extrajudicial. A empresa afirma que as contas podem ser reavaliadas conforme avança a definição do plano de recuperação.
📊
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Contexto de Mercado Baseado no Research BTG Pactual

O encontro de hoje em Doha é o teste mais concreto da trégua até agora — mas o fato de o Irã ainda não ter confirmado presença, mesmo após pedir a reunião segundo Trump, já sinaliza a fragilidade do processo. Segundo o research do BTG Pactual, o mercado precificou essa incerteza de forma comedida: o petróleo recua apenas modestamente (Brent em US$ 72,88) e as bolsas operam perto da estabilidade — sinal de que o "novo normal" inclui essa instabilidade diplomática sem gerar pânico. No Brasil, o destaque é a divergência entre Fazenda e Banco Central: enquanto Durigan nega risco inflacionário nas medidas de crédito do governo, analistas seguem vendo o emprego aquecido e o BC sem espaço para cortar juros — o Focus confirma essa cautela, com as projeções de 2026 estáveis, mas o cenário futuro mais pessimista. O BTG chama atenção para um contraponto positivo pouco notado: o IGP-M de junho caiu 0,50%, puxado pela queda nos preços ao produtor — um indicador adiantado que, se sustentado, pode aliviar a pressão sobre o IPCA nos próximos meses. A leitura geral para o investidor é de transição: a volatilidade geopolítica virou ruído de fundo administrável, e o foco real dos mercados já migrou para o equilíbrio mais delicado entre fiscal, emprego aquecido e a política de juros nos dois lados do equador — Fed possivelmente subindo, BC brasileiro sem espaço para descer.

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Radar de Inflação Monitoramento de Preços
IGP-M junho −0,50% FGV — queda nos preços ao produtor
Defasagem Gasolina −31% Abicom · 29/06
Defasagem Diesel −29% Abicom · 29/06
El Niño Até 2027 Boletim — persistência confirmada
  • IGP-M surpreende positivamente: caiu 0,50% em junho, puxado pela queda nos preços ao produtor (FGV) — sinal adiantado que pode preceder alívio no IPCA caso a tendência se sustente nos próximos meses
  • Aneel confirma repasse de R$ 5,6 bi para reduzir a conta de luz — concretização do alívio sinalizado pelo bônus de Itaipu, ainda que parcial diante do El Niño persistente
  • El Niño deve persistir até 2027, segundo boletim — confirma o fenômeno como o principal risco inflacionário estrutural, com efeitos sobre energia elétrica, grãos e proteínas ao longo de todo o ciclo
  • Fertilizantes em queda: ureia, MAP e potássio recuam no Brasil, beneficiados pela trégua no Oriente Médio — alívio de custo relevante para o próximo ciclo agrícola, ainda que o clima frio já esteja encarecendo alimentos no curto prazo
  • Passagem aérea sobe 11%, chegando a R$ 632 em média — reflexo ainda residual do QAV elevado durante o conflito, com efeito defasado sobre o setor
📌 Leitura do Radar: o IGP-M caindo 0,50% é a notícia mais relevante do dia para a inflação — um indicador adiantado que historicamente precede movimentos no IPCA. Combinado com as defasagens de combustíveis ainda em queda (gasolina −31%, diesel −29%), o quadro de curto prazo é favorável. Mas o El Niño confirmado até 2027 lembra que o desafio estrutural sobre energia e alimentos é de médio prazo, não um problema que se resolve com o fim da guerra.
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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / DohaGeopolítica — Teste da Trégua
Delegações de EUA e Irã se reúnem hoje em Doha — Teerã ainda não confirmou presença na reunião que pediu
EUA e Irã firmaram trégua no fim de semana, com reabertura do tráfego em Ormuz. As delegações se reúnem nesta terça em Doha, a pedido de Teerã segundo Trump — mas o Irã ainda não confirmou presença. O acordo segue frágil, com hostilidades pontuais desde o fim de semana. Brent recua para US$ 72,88.
Contexto: A ausência de confirmação iraniana, mesmo após pedir a reunião, é o detalhe que melhor resume a fragilidade do processo. O mercado já precificou essa instabilidade como normal — a reação comedida do petróleo confirma. Doha é o evento a monitorar hoje; um resultado positivo reforçaria a trajetória de queda do petróleo.
02
Iene / JapãoCâmbio Global
Iene cai à mínima desde 1986 ante o dólar — Japão sinaliza possível intervenção
O iene caiu para 162,19 por dólar, menor nível desde 1986, mantendo investidores em alerta para intervenção das autoridades japonesas. O ministro das Finanças afirmou que o governo está pronto para "ação decisiva" diante de movimentos excessivos da moeda. O DXY sobe 0,26%, refletindo a força global do dólar.
Contexto: A fraqueza do iene reflete o mesmo fator que pressiona o real: o dólar forte globalmente, sustentado pela expectativa de juros americanos mais altos. Uma eventual intervenção japonesa teria efeitos sobre o mercado cambial global e poderia oferecer um sinal de até onde os bancos centrais estão dispostos a agir para conter a valorização do dólar.
03
IGP-M / FGVInflação — Sinal Positivo
IGP-M cai 0,50% em junho com queda nos preços ao produtor — indicador adiantado favorável ao IPCA
O IGP-M de junho caiu 0,50%, puxado pela queda nos preços ao produtor, segundo a FGV. O indicador é historicamente um termômetro adiantado de pressões inflacionárias que tendem a aparecer depois no IPCA. Ainda assim, o Boletim Focus mantém as projeções de Selic e inflação de 2026 estáveis, com cenário futuro mais pessimista.
Contexto: O IGP-M negativo é um contraponto bem-vindo à cautela do Focus. Se a queda nos preços ao produtor se sustentar, pode anteceder um alívio no IPCA nos próximos meses — reforçando a tese de continuidade dos cortes da Selic. É um dado a monitorar de perto nas próximas leituras.
04
Fazenda / BC / CréditoPolítica Monetária Brasil
Durigan rebate BC e nega risco inflacionário nas medidas de crédito do governo — analistas veem emprego aquecido
O ministro Durigan rebateu o Banco Central e negou que as medidas de crédito do governo representem risco inflacionário. Analistas, porém, seguem vendo o emprego ainda aquecido e o BC sem espaço para cortar juros. A divergência entre Fazenda e BC sobre o diagnóstico inflacionário ganha contornos mais públicos.
Contexto: O embate público entre Fazenda e BC sobre o diagnóstico inflacionário é um fator de ruído adicional para a credibilidade da política econômica. Para o investidor, sinaliza que o ciclo de cortes da Selic pode estar mais perto do fim do que o mercado havia precificado após a última reunião do Copom — o mercado de trabalho aquecido é o principal obstáculo.
05
Mercosul / Comércio ExteriorBrasil — Comércio
Cúpula do Mercosul hoje no Paraguai — primeira desde acordo com a União Europeia, em meio ao protecionismo de Trump
A Cúpula do Mercosul ocorre hoje, com foco em integração regional e aceleração de acordos de livre-comércio, em meio ao avanço do protecionismo global puxado pelas tarifas de Trump. É a primeira cúpula desde a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia. Lula chega ao encontro em cenário político desfavorável no continente.
Contexto: Num momento de protecionismo crescente nos EUA, o Mercosul-UE ganha relevância estratégica como alternativa de diversificação comercial para o Brasil. A cúpula é oportunidade de acelerar a implementação prática do acordo, embora o cenário político desfavorável no continente possa limitar o alcance das decisões.
Amare Private Invest
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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